Folias de Reis em Muqui, foto de Ratão Diniz

Muqui é uma pequena cidade histórica do interior do Espírito Santo localizada em meio a majestosas formações montanhosas. Além das abundantes belezas naturais, o lugar tem história preservada pelo acervo arquitetônico. Entre as antigas construções que revelam um período do império do café estão

casarões, sobrados e palacetes espalhados por todos os cantos. O cenário local se mantém no cotidiano interiorano da cidade, que, durante o ano mantém também as tradições culturais populares das Folias de Reis e dos Bois Pintadinhos, expressões do povo local que fortalecem a identidade e revelam um Espírito Santo diversificado, características ainda pouco exaltadas no próprio país.

O Espírito Santo está sempre investindo na busca da sua identidade e se descobrindo. A cultura capixaba, como o de todo o Brasil, possui vertentes visuais, sonoras e cognitivas, geram e afirmam símbolos, que passam pelo imaginário popular e coletivo, e ao mesmo tempo, pela memória afetiva.

Mescla do povo português, africano, italiano e san-marinense Muqui é palco de intercâmbios artísticos desde que nasceu, em 1850. Pra cá vieram pintores italianos responsáveis por incríveis obras nas igrejas e palacetes da cidade, filmes estrangeiros exibidos no antigo cinema, arquitetos que imprimiram características neoclássicas e músicos que embalaram saraus nos palacetes da cidade, onde a gente ainda pode encontrar dezenas de pianos centenários, herança da ostentação daquela época. Atualmente, o intercâmbio é provocado, dentre outras formas, através do turismo cultural e das reflexões e vivências estimuladas pelo Fecin dentro do contexto da economia criativa.

Folias de Reis em Muqui, foto de Ratão Diniz

Passado, presente, cultura popular brasileira, interior, patrimônio (material e imaterial) e memória estão sempre associados ao Fecin, sejam em ações culturais da programação ou nas mostras audiovisuais competitivas que abrem uma janela de representações de seus cineastas.

A urbanização da cidade conta com uma arquitetura arrojada em tons de neoclassicismo com linguagem eclética, onde é possível encontrar diversos elementos da arquitetura clássica, art nouveau e art decor. As construções das décadas de 20 e 30 se destacam pelas fachadas decoradas com elementos florais e varandas laterais com pinturas de temas de paisagens naturais.

As tradições, as miscigenações e a riqueza histórica, visual e artística desta pequena jóia rara de apenas 14 mil habitantes, é o local escolhido pelos próprios artistas locais para criação de um festival de cinema. Criado em 2012 por jovens criativos da cidade, o festival, que sempre é temático, exibe em praça pública e nos arredores da antiga estação ferroviária do município, filmes de curta metragem de todo o mundo. Além das mostras competitivas, que concorrem ao troféu “Catraca” (uma alusão ao hábito interior de pedalar – a bicicleta é o ícone do evento) o festival promove oficinas de cinema com jovens da cidade além de bate-papos e vivências artísticas realizadas com os cineastas na chamada “Casa dos cineastas”. A casa é um local de hospedagem dos profissionais audiovisuais durante o evento, um espaço de troca de ideias e bate-papos. O Solar do Lagarto é uma hospedaria que funciona numa casa histórica, de 1927 em estilo art noveau, tem porão alto jardim frontal à moda da época de sua construção e pinturas nas paredes de autoria do pintor italiano Monti. O imóvel conserva as características originais da época da construção e integra o conjunto arquitetônico do Sítio Histórico de Muqui – o maior do Espírito Santo. O nome Solar do Lagarto faz menção a um hábito antigo dos moradores, que esperavam o sol aquecer e só depois saíam de suas casas. O vilarejo ficou conhecido como “Arraial dos Lagartos”.

fotos de Ratão Diniz

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