O ano de 2019 será marcado na História do Audiovisual como um período de enfrentamento e de produções sofisticadas. Mesmo em crise, o cinema brasileiro reverbera e ganha prestígio no mercado internacional e em diversos festivais. Entretanto, a luta continua.

No decorrer do ano, o governo federal fez alterações estratégicas no Conselho Superior de Cinema, que agora conta com um número maior de integrantes do governo do que de profissionais atuantes do setor. O Governo ameaçou acabar com a Ancine (Agência Nacional do Cinema), que passa por um profundo desgaste. Com o intuito de afogar a produção, o Governo propôs, ainda, um corte de quase 43% do orçamento do Fundo Setorial do Audiovisual para 2020. Quem atua no setor reconhece a importância do FSA como a principal fonte de recursos para a produção de conteúdo no Brasil.

Recentemente, mais de cem cartazes foram retirados do site e dos corredores da Agência. Para concluir o bombardeio ideológico, o Presidente da República nomeará novos nomes para a instituição. De acordo com informações da colunista Mônica Bergamo, dois deles já são escalados: o pastor e colunista social Edilásio Barra, o Tutuca, atualmente superintendente de desenvolvimento econômico da agência, e Veronica Brendler, diretora do Festival Internacional de Cinema Cristão. Esse ataque/filtro/censura, preocupa principalmente as pequenas produtoras que dependem dos editais.

O Presidente vetou ainda o projeto de lei nº 58.15/2019 que prorrogava a isenção de benefícios fiscais por meio do Regime Especial de Tributação para Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica (Recine). O projeto estendia até 2024 a isenção de impostos para a instalação de cinemas em cidades pequenas e prorrogava incentivos fiscais da Lei do Audiovisual, com dedução de parte do imposto de renda de pessoas físicas e jurídicas que financiam projetos da Agência Nacional do Cinema. Por outro lado, na véspera de Natal (24), o governo estabeleceu por decreto cotas de exibição de filmes nacionais em cinemas de todo o país. O decreto vinha sendo aguardado pelo setor desde o Governo de Michel Temer e objetiva, entre outras ações, fomentar a exibição de filmes nacionais. A iniciativa surgiu no momento em que o setor pressionava por mais autonomia e participação.

Diante dos inúmeros ataques à Cultura, roteiristas, produtores e criadores se mobilizaram em diversas partes do Brasil em defesa da liberdade de expressão, e do audiovisual brasileiro. O intuito, na maioria das narrativas é o mesmo: evidenciar que o audiovisual impacta na economia do país e que não se trata de um setor particularizado ou com partidarismos.

A oitava edição do FECIM, Festival de TV e Cinema de Muqui, que ocorreu nos dias 19, 20 e 21 de dezembro de 2019 no Sítio Histórico da cidade, foi o último Festival de Cinema do ano no Brasil e resumiu em sua programação a resistência e o embate sofrido pelo audiovisual.

Equipe do FECIM 2019

Simbólico, o evento mostrou a dificuldade de realizar uma produção sem recursos. Foi um momento de união, resgate e valorização da Cultura. No dia 21 de dezembro, após a exibição de “Bacurau”, uma equipe emocionada anunciou que todos os filmes serão premiados com uma Menção Honrosa Coletiva. “Todos os produtores, artistas, cineastas e trabalhadores da Cultura, que sempre resistiram e resistirão, são vencedores. Não há como premiar um ou dois filmes no cenário em que nos encontramos. Estamos vivendo um momento Histórico no Brasil. Estamos na linha de frente de uma batalha longa, mas a arte sempre se impõe”, reforça Jussan Silva e Silva, idealizador do Festival.

A produção do FECIM informa que todos os cineastas receberão um e-mail no decorrer do mês de janeiro de 2020 com o certificado de “Menção Honrosa Coletiva”.

Feliz 2020 Audiovisual!

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