*Jussan Silva e Silva

Empatia. No decorrer do ano fui convidado pela Escola Senador Dirceu Cardoso para ministrar uma oficina de audiovisual para os alunos da instituição. Naquele momento, fizemos uma análise conceitual, dividimos a turma em grupos e definimos a linha de trabalho de um projeto. Alguns alunos já sabiam o que queriam ser. Numa sala escura, estava olhando para novos produtores, roteiristas, diretores e três sócios de uma grande distribuidora paulista. Foi bem divertido construir um filme com os colegas de trabalho. E não levei esse exercício como brincadeira. Espero que num futuro breve, os alunos construam o seu filme e exibam no próximo FECIM.

Nos momentos finais da aula, exibi uma linha do tempo da produção audiovisual capixaba e, obviamente, apontei para o filme “Espero Tua (Re)volta”, de Eliza Capai. Dei play no trailer e os alunos simplesmente entraram em atenção total. Percebi ali, que eles se reconheceram de alguma forma, seja pelo posicionamento feminino da narrativa ou pela energia presente na utopia dos movimentos estudantis apontada no filme. Entendi que precisava trazer esse debate para Muqui e para o FECIM.

Contei essa história para Eliza, que prontamente aceitou a homenagem. “Espero Tua (Re)volta” é um filme muito necessário, sobretudo no interior, onde o conservadorismo idelológico massacra a Cultura e a pasteuriza. Estamos muito preocupados com o futuro de Muqui, e com o presente das manifestações populares e das iniciativas culturais. Talvez essa homenagem res-signifique a reflexão sobre o que é ser mulher e aprofunde os questionamentos sobre as potências de ser uma cidade criativa.

Eliza Capai é jornalista formada pela Universidade de São Paulo (ECA/USP), e foi bolsista do OpenDocLab no MIT (Massachussets Institute of Technology). Eliza estreou seu terceiro longa, “Espero tua (re)volta” no Festival de Berlim (2019), onde recebeu o Prêmio da Anistia Internacional e o Prêmio da Paz. O filme segue circulando por festivais e recebendo prêmios, entre eles o Prêmio de Melhor Filme em sua estréia nacional no Olhares de Cinema.

*Jussan é o idelizador do FECIM.

Foto: Eliza Capai

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